O Catalão do meu São João por Daniel Ferreira da Silva

Bares do seu Altamiro, do “Eurípedes Chefe”, Calimério, Carmelito, Bertoldo, Bibica e da Filomena. Poucas opções de sabores de bolacha recheada a gente naquela época tinha, tinha era muita pessoa sim, que gostava de comer leite com farinha e que, por ter poucos “cobres”, só podia comer era a tal da bolacha de maizena. Frutaria da Toinha ali no bairro existia, tomate, alface, pimenta e mandioca, sempre lá havia. Os açougues do Newton e do Cheirinho, sempre abastecia de carne o povo dali e os vendedores de espetinho. Das penteadeiras com límpido espelho, das minhas professoras do Chapeuzinho Vermelho. Sonhos, pastéis, quibes, coxinhas, suspiros, maria-mole, Ki-Suco e Q-Refresko, trolim, bets, passa-anel, cai no poço, tempo o qual muito de nós aproveitamos, momentos de comilança e diversão, que naqueles saudosos dias não tinha preço.Lembranças do saudoso padeiro Valdione Padeiro, que no corredor da casa da minha avó deixava um saco de rosca e pão, na estreita passagem da casa do meu avô não tinha a segurança de um portão, o que facilitou muitas vezes a vida de um menino carente, que muito trabalhou e que hoje tem família, carro, casa própria, emprego e na poupança, um bocado de dinheiro. Na Máquina do Batista ir pegar cascas de arroz, pra forrar o terreiro do meu galinheiro, pra “mode” criar galinha e assim ter carne e ovo depois.

Whatsapp, Facebook, Instagram, tecnologia moderna a gente não tinha ali pra usar, tinha era UHF, VHF, Atari, CCE e a calçada da rua pra se reunir com as pessoas do bairro de noite e ali sempre prosear. Brincadeiras, traques e bombinhas do bar do Tonico, que a infância de muitos dali fez um dia muito divertir e se alegrar. Cortar cabelo sentado numa tábua de madeira usada pra “dar altura”, na barbearia do seu Arismar. Ah, que saudades que me deu agora também nesse momento de ouvir como dantes o “quer que leva agora?” do conhecido e popular Tião da Big Lar. Torrafação do Café Sultão… Como era bom sentir perto de minha casa dela o seu gostoso cheiro, tinha a padaria do “Eurípedes Silvestre Empresário”, que fornecia pão e muitas quitandas pro meu bairro inteiro, a Kombi dos doces, quando passava, hummmm, que delícia !

Eu ainda me lembro com bastante clareza, do som da buzina da antiga carroça do leiteiro, que labutava passando nas ruas e de casa em casa, desde cedo, pra ganhar o seu dinheiro. Engraxates eu via muitos na velha rodoviária do São João, e lá havia a famosa banca de gibis, revistas e jornais do seu Dionísio, são muitas boas recordações do Catalão da minha infância, que na minha memória até hoje exerce muito fascínio. Na casa da minha tia Ruth tratava com mingau os seus filhotinhos de periquito e como me lembro muito bem do seu João Lopes, já velhinho, sentado na calçada do bar do Carmelito. Saudoso bairro da minha infância de muitas artes, que ficava próximo também do bairro que tinha o antigo empório do seu João Arcanjo Duarte.

O Catalão do bairro de São João e dos vizinhos meus, dos muitos bares, poucas padarias e da pequena mercearia do Tadeu. Do muro da minha casa no São João, ouvia a paixão das músicas do Amado Batista, que tocava bem alta, na casa do meu vizinho “Oristide” Brandão. Em meio a tanta traquinagem e arte, comprávamos revólveres de espoleta na banca do Dionísio e homenzinhos paraquedistas no mercado Boaventura, perto do açougue de esquina do seu Júlio Duarte. Quando estávamos em outros lugares distantes da cidade e queríamos chegar logo em nosso bairro, andávamos nos “coletivos” da Transduarte. Pra quem de Catalão para outras cidades muitas vezes de ônibus viajava, por trinta anos esteve ali com sua lanchonete atendendo os viajantes, o seu Élcio da Rodoviária.

Naquela época havia pouca escola por ali, quem no meu bairro quisesse estudar, estudava no afamado colégio Dona Iayá. Dona Iayá, onde aqueles que me deram a vida se encontraram e começaram a namorar, vindo pouco tempo depois esse casal a se casar. As lágrimas de saudades de vez em quando deixo escapar no meu rosto, nos momentos em que eu me recordo do meu tempo de adolescente e também de pequenino, sempre hei de guardar com muito carinho, as saudosas lembranças dos três filhos da dona Glória e do seu Zé: Marcos Paulo, Dino, Henrique e também do pai de meus outros dois distintos amigos, que foi o meu querido vizinho Divino. Chego perto da Avenida JK, olho então para o lado do bar São José, que existe até hoje, sim, aquele, aquele velho boteco do Zé do Floro, então novamente as lágrimas desejam escorrer dos meus olhos, ao ver que não existe mais ali a casa e o bar dos meus avós, e eu, então por dentro, de saudades do Catalão do meu São João daquele meu tempo de criança, choro…

( Por Daniel Ferreira da Silva )

 

 

 

 

 

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