MEMÓRIA E ARTE: O eterno colorido de Cirene de Nazareth
Por Maysa Abrão
Existem pessoas que passam pela nossa vida e deixam rastros de cor, mesmo quando o cenário parece cinza. Hoje, mergulhando no meu baú de memórias da época da Revista Portal VIP, reencontrei uma entrevista que me emocionou profundamente na época e que hoje ganha um significado ainda maior. Falo da querida Cirene de Nazareth Rosa Franco.
Dona Cirene, que infelizmente hoje não está mais entre nós, foi uma mulher que soube transformar o “vazio” em beleza. Depois de dedicar 27 anos de sua vida ao magistério como professora primária, ela enfrentou aquele silêncio inquietante que a aposentadoria, às vezes, traz. Mas ela não se deixou abater.
A Cura através do Pincel
Em 2005, Cirene ingressou na Fundação Maria das Dores Campos. Naquela nossa conversa, ela me abriu o coração com uma honestidade tocante: “Depois que nos aposentamos, parece que nos sentimos inúteis. Encontrei na pintura uma sensação de prazer onde me esqueço do tempo”.
O que era um sonho de criança — descobrir a “dança das cores” — tornou-se sua terapia e sua realização. Lembro-me do brilho nos olhos dela ao falar de como as telas preenchiam seu universo, afastando a tristeza e as dificuldades do dia a dia.
Do Tecido às Telas: O Despertar de um Talento
Cirene começou tímida, pintando tecidos. Tinha receio de se aventurar nas telas, mas o talento era evidente demais para ficar escondido. Com o incentivo da sua mentora, a professora e artista Silmalene, ela rompeu barreiras.
Suas paisagens, marcadas por um estilo moderno e vibrante, encantavam quem passava pelas exposições da Fundação, como o projeto “Novos Talentos”. Ela sempre dizia, com uma humildade rara, que a arte de pintar era infinita e que ainda tinha muito a aprender.
Um Legado de Sensibilidade
Hoje, ao reler suas palavras, entendo que Cirene não apenas aprendeu a pintar; ela nos ensinou que nunca é tarde para florescer. Suas telas eram extensões da sua própria alma: gentis, detalhistas e cheias de vida.
Dona Cirene partiu, mas as cores que ela espalhou em Catalão continuam vivas. Este resgate é a minha forma de dizer: obrigada, professora, por nos mostrar que a arte é o melhor remédio para o vazio.
Uma homenagem aos nossos talentos
Você tem algum quadro da Dona Cirene em casa? Ou teve o privilégio de ser aluno dela durante seus 27 anos de escola? Compartilhe aqui sua lembrança. Vamos manter viva a memória dessa mulher que transformou saudade em pintura.

TEXTO e FOTOS: Maysa Abrão
