Por Maysa Abrão
Em dezembro de 2009, tive uma conversa marcante com o escritor Otacílio Nascimento de Alcântara, então presidente da Academia Catalana de Letras. Entre livros, papéis e reflexões sobre o fazer literário, ele me contou como o desejo de colocar ideias no papel nasceu cedo, ainda na infância — numa época em que, como ele mesmo dizia, o termo adolescência sequer existia.
Mesmo enfrentando dificuldades iniciais com a gramática escolar, a escrita se impôs de forma espontânea. Escrevia sem roteiro fixo, até que a poesia encontrou espaço para traduzir seu olhar romântico e observador.
A Mulher como Inspiração Central
Ao contrário dos autores que se refugiam na fantasia pura, Otacílio sempre fez...
Por Maysa Abrão
Em novembro de 2009, sentei para conversar com a médica, advogada e escritora Elaine Rosa Teixeira em uma das entrevistas mais marcantes da minha carreira no jornalismo cultural. Membro da Academia Catalana de Letras e filha do saudoso casal João Martins Teixeira e Shirley Rosa Teixeira, Elaine já dividia seu tempo entre a rotina intensa da medicina e o encanto das letras.
Na época, ela trazia no currículo uma dedicação exemplar à saúde de Catalão, atuando como provedora da Santa Casa, anestesiologista e coordenadora do Programa de Controle da Hanseníase. Mas, nos bastidores da sua rotina, o que transbordava era o amor pelas palavras.
Da Veia Infantil ao Livro "Espontânea Clausura"
Por Maysa Abrão
Compreender a história de Catalão exige olhar para além dos documentos oficiais e enxergar as forças sociais que, nos bastidores, impulsionaram o desenvolvimento do nosso município. Entre elas, a trajetória da Loja Maçônica Paz e Amor IIIª se confunde diretamente com o crescimento e a modernização da nossa terra.
Fundada no dia 27 de outubro de 1913, a Paz e Amor IIIª nasceu em uma Catalão vibrante, mas também marcada pelas fortes disputas políticas e rurais do início do século XX. Foi a segunda loja maçônica a ser criada em todo o Estado de Goiás.
Um grupo de visionários, liderado por nomes como Bento Xavier Garcia, Victor Grezzi, Alfredo Sampaio, João César Fleury,...
Por Maysa Abrão
Na noite de 30 de setembro de 2009, a Fundação Cultural Maria das Dores Campos virou palco de uma das reuniões mais afetuosas do nosso meio literário e religioso. Acompanhei de perto o lançamento do livro Contemplação, a segunda obra de Frei David Jerome Babcock, que retornava à cidade para reencontrar a comunidade que ajudou a formar.
Para quem não acompanhou aquela época, Frei David morou em Catalão por 16 anos. Ele não foi apenas o pároco local; atuou como professor na Escola Paroquial Bernardino de Siena, comandou microfones na Rádio Cultura e esteve na linha de frente da movimentação cultural do município.
A Proposta da Obra e a...
Por Maysa Abrão
No dia 29 de setembro de 2009, a panificadora Santo Pane da Vila Margon viveu um dia de festa que entrou para a história de Catalão. Acompanhei a entrega oficial dos prêmios do confeiteiro Eronildo Carneiro, que venceu o prestigiado concurso nacional Copa Bunge superando impressionantes seis mil inscrições de todo o país.
O passaporte para o topo do pódio foi uma criação ousada e regional: a famosa Charlote de Jaca, receita que foi servida em um coquetel especial para celebrar a conquista ao lado de clientes, amigos e autoridades.
Reconhecimento Nacional
A grandiosidade do feito chamou atenção da própria empresa organizadora. Rudi Reiter, gerente comercial da Bunge, fez questão de vir...
Por Maysa Abrão
A arte jovem e independente sempre teve um palco forte em nossa terra. No resgate de hoje do nosso acervo, voltamos aos bastidores de um espetáculo que movimentou o anfiteatro do CESUC: a comédia musical “Marias como tantas outras que existem por aí”, que estreou com grande sucesso nos dias 18 e 19 de setembro de 2009.
Com texto e direção de Fernando Resende (então com 25 anos), recém-formado em artes dramáticas pela UFMG, a peça trouxe uma proposta ousada: usar o humor e a música para fazer uma radiografia da mulher brasileira.
17 Tipos de Marias e Muita Crítica Social
O espetáculo foi estruturado em vários monólogos, apresentando...
Por Maysa Abrão
“Tudo que tenho foi o Espírito Santo quem me deu, o que me motiva mais ainda a cantar para Deus.”
Existem vozes que parecem carregar um mapa das próprias vivências. Em agosto de 2009, mergulhei na história e nos bastidores musicais de Hamilton Fernandes Costa. Naquela época, aos 32 anos de idade, o cantor, compositor e produtor musical catalano celebrava uma marca bonita: 10 anos de uma carreira profissional que nasceu sem ensaio, mas que foi conduzida por uma determinação impressionante e por uma entrega espiritual genuína.
Dos Gramados para os Acordes: O Destino no Violão
Quem conhecia o talento de Hamilton com o violão e o microfone em...
Por Maysa Abrão
“Fiz uma proposta para mim mesmo: irei viver até os 100 anos.”
Quando registrei essa frase de Danúbio José Castro Marques em 9 de setembro de 2009, percebi que não estava diante de um simples entrevistado, mas de um homem que decidiu ser o arquiteto do seu próprio tempo. Naquela tarde, Danúbio, aos 53 anos, abriu o baú de uma vida que começou com o brilho da graxa nos sapatos e se transformou em um dos legados mais bonitos de resiliência e amor que já vi em nosso Catalão.
O Menino de Medina: Onde o Trabalho não Roubou a Infância
Tudo na vida de Danúbio começou com...
Por Maysa Abrão
Existem promessas que são feitas com os lábios, mas existem aquelas que são seladas com a alma. No resgate de hoje do nosso acervo, voltamos a uma noite de 29 de junho de 2009, quando o cheiro do quentão e o som do terço cantado transformavam a residência de Dona Joana Rosa dos Santos no epicentro da fé em Catalão.
Hoje, com Dona Joana já descansando nos "campos de São Pedro", reler sua história é entender o peso e a beleza de uma herança bendita.
O Milagre que Deu Início a Tudo
Para entender o brilho nos olhos de Dona Joana naquela época, precisamos voltar quase um século no...
Por Maysa Abrão
"Não são os grandes planos que dão certo; são os pequenos detalhes." Essa frase, dita por quem ajudou a calçar os caminhos da nossa terra, resume o que foi o dia 20 de agosto de 2009. Catalão soprava as velinhas de um sesquicentenário (150 anos), ostentando o orgulho de quase 100 mil habitantes e uma prosperidade vibrante. Mas, para entender o brilho daquela festa, precisei mergulhar no passado através dos olhos marejados de quem viveu o centenário, em 1959: o ex-prefeito Paulo Hummel.
Sentar com o Sr. Paulo foi mais que uma entrevista; foi uma viagem mística. Ele me levou para uma Catalão de sessenta e sete anos atrás,...