DIRETO DO ARQUIVO: Adarci Aparecida – Quando a Arte se Torna o Antídoto para a Solidão
Por Maysa Abrão
Há momentos na vida em que o silêncio de uma casa pode se tornar ensurdecedor. Para a comerciante Adarci Aparecida Ferreira Silva, esse momento chegou em um combo de despedidas: a perda da mãe em 2003 e a partida da filha única para estudar fora. No resgate de hoje do nosso acervo, revisitamos uma matéria de julho de 2009 que nos ensina como o pincel pode ser o melhor aliado para espantar a tristeza.
Naquela época, aos 42 anos, Adarci nos contou como decidiu mudar o ritmo de sua vida para abrir espaço para o que realmente importava: a fé e a expressão artística.
O Lado Bom da História
Dizem que, quando uma porta se fecha, uma janela se abre e para Adarci, essa janela foi pintada em tela. Seis anos após as grandes mudanças em sua rotina, ela já contabilizava os benefícios de ter trocado parte da carga horária de trabalho pelo relaxamento do ateliê.
“Toda a história tem um lado bom. Estou muito feliz porque encontrei a arte. É um momento de relaxamento e paz”, celebrava a artista na ocasião.
O que começou com um simples convite de uma amiga para conhecer um ateliê, transformou-se em uma paixão que a levou a expor em eventos importantes e participar de concursos de peso, como os da Fundação Maria das Dores Campos e do SESI em Goiânia.
Cores que Curam e Protegem
Para Adarci, pintar nunca foi apenas um passatempo; era uma terapia de harmonização. Ela descrevia a sensação de estar diante de uma tela como um escudo contra a melancolia:
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Paz Interior: A pintura trazia uma harmonia que afastava a ausência das pessoas amadas.
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Versatilidade: Seus quadros passavam por diversos estilos, mas era na arte moderna que ela encontrava seu maior encanto.
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Temática Afetiva: De florais delicados a figuras sacras, a casa da artista se transformou em uma galeria particular de suas superações.
Fé em Cada Pincelada
Sendo uma mulher de muita religiosidade, Adarci encontrou uma forma de retribuir as graças que alcançava: dedicava parte de seu talento à produção de telas para doação a igrejas. Ela uniu seus dois maiores prazeres: a arte e a pastoral para preencher seu tempo com propósito.
“Primeiramente temos que buscar a Deus. Ocupo meu tempo com a arte e a pastoral, e com isso vou alcançando as graças que tanto almejo”, finalizou ela em nossa entrevista.
O Legado do Olhar em 2026
Rever essa história hoje nos faz pensar em quantas “Adarcis” existem por aí, precisando apenas de um incentivo para descobrir um novo talento. A arte de Adarci Aparecida nos lembra que a solidão não precisa ser um destino, mas pode ser o ponto de partida para uma vida muito mais colorida e cheia de paz.
Qual é o seu refúgio?
Assim como a Adarci encontrou na pintura o seu equilíbrio, todos nós temos algo que nos faz esquecer dos problemas.
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Você já usou a arte (seja pintura, música ou artesanato) para superar um momento difícil?
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Conhece as obras da Adarci Aparecida em alguma igreja ou exposição em Catalão?
Conte para a gente nos comentários! Vamos celebrar as formas de encontrar felicidade mesmo nos dias mais cinzentos.

TEXTO e FOTOS: Maysa Abrão