DIRETO DO ARQUIVO: As Estações da Voz – A Jornada de Fé, Rock e Romantismo de Hamilton Costa
Por Maysa Abrão
“Tudo que tenho foi o Espírito Santo quem me deu, o que me motiva mais ainda a cantar para Deus.”
Existem vozes que parecem carregar um mapa das próprias vivências. Em agosto de 2009, mergulhei na história e nos bastidores musicais de Hamilton Fernandes Costa. Naquela época, aos 32 anos de idade, o cantor, compositor e produtor musical catalano celebrava uma marca bonita: 10 anos de uma carreira profissional que nasceu sem ensaio, mas que foi conduzida por uma determinação impressionante e por uma entrega espiritual genuína.
Dos Gramados para os Acordes: O Destino no Violão
Quem conhecia o talento de Hamilton com o violão e o microfone em 2009 talvez não imaginasse que o primeiro grande sonho dele corria longe dos palcos. Desde os 12 anos, a paixão pelo canto e pelo instrumento era algo natural em sua vida. Porém, na década de 80, influenciado pelas grandes bandas que dominavam as rádios, ele queria aprender a tocar apenas pelo prazer de ecoar as músicas de seus ídolos.
O plano principal era o futebol. Hamilton chegou a calçar as chuteiras e a defender alguns times, alimentando o desejo de se tornar jogador profissional. Mas o destino, que sabe escolher os caminhos certos, tratou de mostrar que o seu verdadeiro dom não estava nos pés, mas na sensibilidade de suas mãos e de suas cordas vocais.
O Rock, o Romantismo e a Essência Divina
A formação musical de Hamilton Costa é um mosaico interessante. Na adolescência, a rebeldia e a energia do Rock marcaram sua identidade. Já na juventude, foi o romantismo que capturou sua atenção. Mas não era um gosto superficial; Hamilton buscava a técnica vocal e a interpretação profunda:
“Tive uma fase em que gostava muito do Rock e depois comecei a admirar o romantismo justamente pela técnica vocal, daí busquei a essência do amor, foi onde cheguei a Deus. Isso me facilitou muito, pois sempre canto tentando interpretar. Se eu não souber o que a música está falando, eu não dou conta nem de cantar”, revelou ele na entrevista.
Essa busca pela essência o levou diretamente para a igreja, um ambiente que já fazia parte de sua rotina devido à criação por pais extremamente religiosos. Ao aceitar um convite para tocar na Renovação Carismática, Hamilton viveu um momento de profunda comoção. Foi ali, entre orações e louvores, que sua voz verdadeiramente se moldou e encontrou seu propósito maior.
Uma Discografia de Desafios e Sucessos
A caminhada profissional, iniciada aos 18 anos, foi registrada em uma sequência de trabalhos que Hamilton guardava com muito orgulho em seu catálogo de 2009:
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Carta Bomba: O primeiro CD da carreira. Gravado de forma totalmente independente e sem gravadora, foi uma grande surpresa ao estourar e atingir a impressionante marca de 6 mil cópias vendidas.
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Deus sobre todas as coisas: O segundo disco, lançado dois anos depois, foi um trabalho religioso com tiragem de 300 cópias, feito como um gesto de gratidão a Deus pelo sucesso do primeiro álbum.
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Flor da pele: O terceiro projeto, onde o cantor permitiu-se voltar às suas raízes da adolescência, com um direcionamento mais voltado para o Rock.
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Transformai-vos: O quarto CD, novamente de temática religiosa. O álbum tomou proporções nacionais, mas, assustado com as burocracias de direitos autorais das canções de terceiros, Hamilton optou por uma venda controlada de apenas mil cópias.
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Hamilton Costa Acústico: O quinto grande registro, um DVD que reuniu uma coletânea de todas as principais músicas que marcaram sua primeira década de estrada.
Naquele agosto de 2009, ele já estava trabalhando na sexta faixa de seu próximo álbum, desenhando um projeto inteiramente religioso e autoral, para cantar a sua fé sem as amarras das grandes gravadoras.
Adriana: A Canção de Amor mais Bonita
Atrás de toda a técnica e da correria dos estúdios de produção, a estabilidade de Hamilton vinha do lar. Ele encontrou sua metade na esposa, Adriana, a quem creditava sua maturidade como homem.
A cumplicidade do casal foi eternizada em música logo no início da caminhada juntos. Com apenas dois meses de namoro, Hamilton compôs uma canção para ela, tentando traduzir um sentimento que, em 2009, já completava mais de uma década de respeito e afeto. Na letra, ele declarou: “A água vira mel, mas serei somente seu.”
O Legado do Som
Revisitar essa matéria hoje é celebrar a trajetória de um operário da música em Catalão. Hamilton Costa nos mostrou que a voz só alcança o coração do público quando ela é honesta com aquilo que sente — seja na distorção de uma guitarra de rock ou na suavidade de um louvor de domingo.
A Trilha Sonora de Nossas Vidas:
A produção musical e as composições do Hamilton fazem parte das lembranças de muita gente em nossa região.

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Você se lembra de ouvir o CD “Carta Bomba” tocando na cidade?
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Já se emocionou com o Hamilton tocando nos encontros da Renovação Carismática?
Deixe seu comentário abaixo. Vamos juntos relembrar e valorizar os artistas que dedicam a vida para embalar as nossas histórias com trilhas sonoras tão bonitas!