DIRETO DO ARQUIVO: A Ciência e a Poesia no Olhar de Elaine Rosa Teixeira

Por Maysa Abrão

Em novembro de 2009, sentei para conversar com a médica, advogada e escritora Elaine Rosa Teixeira em uma das entrevistas mais marcantes da minha carreira no jornalismo cultural. Membro da Academia Catalana de Letras e filha do saudoso casal João Martins Teixeira e Shirley Rosa Teixeira, Elaine já dividia seu tempo entre a rotina intensa da medicina e o encanto das letras.

Na época, ela trazia no currículo uma dedicação exemplar à saúde de Catalão, atuando como provedora da Santa Casa, anestesiologista e coordenadora do Programa de Controle da Hanseníase. Mas, nos bastidores da sua rotina, o que transbordava era o amor pelas palavras.

Da Veia Infantil ao Livro “Espontânea Clausura”

A relação de Elaine com a literatura começou cedo, incentivada ainda na infância pelos pais que viam com carinho os seus primeiros versos. Anos mais tarde, essa sensibilidade mirim se transformou em uma produção madura e consistente.

Em dezembro de 2009, no auditório do SENAC, ela lançava Espontânea Clausura (Editora Scortecci), seu segundo livro de poesias, prefaciado por Fabiana Rodrigues Carrijo. A obra reuniu uma série de poemas intimistas sobre a existência humana e o olhar feminino sobre o mundo.

Como ela mesma me disse naquela tarde:

“A inspiração vem do viver, do inebriar-se pela natureza, do apaixonar-se pelas pequenas coisas, pelos gestos humanos. A poesia é a própria vida em todo seu esplendor, codificada em palavras. Aliam-se nos textos o sentir e o pensar, como líquen e rocha, fundidos.”

O Olhar Feminino e a Paixão pelo Belo

Leitora atenta de Fernando Pessoa e Guimarães Rosa, Elaine citava a célebre frase de Grande Sertão: Veredas: “Viver é um descuido prosseguido” para explicar sua visão sobre a brevidade e o encanto da vida.

Mãe, profissional respeitada e eterna aprendiz, ela se dividia entre os plantões e a escrita de seu terceiro livro, uma obra de contos dedicada às memórias de sua infância em Catalão. O desejo que movia sua caneta era simples: deixar o mundo um pouco mais poético.

Um Registro Guardado com Afeto

Resgatar essa matéria em 2026 é relembrar a força de uma mulher que marcou nossa cidade tanto na precisão dos diagnósticos quanto na delicadeza dos seus versos. A trajetória literária e profissional de Elaine Rosa Teixeira segue como um capítulo especial da nossa história local.

Você Conhece a Obra da Dra. Elaine?

A atuação da Dra. Elaine faz parte da memória da nossa saúde e da nossa literatura.

  • Você já foi atendido por ela ou teve a oportunidade de ler Espontânea Clausura?

  • Qual trecho da conversa dela mais tocou você?

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