DIRETO DO ARQUIVO: Arte em Sucata – Quando os Gigantes de Metal Ocuparam Nossa Biblioteca Digital
Por Maysa Abrão
Existem exposições que ficam gravadas na memória não apenas pelo que mostram, mas pelo que nos fazem sentir. Em junho de 2009, em comemoração à Semana do Meio Ambiente, Catalão testemunhou uma dessas ocupações artísticas inesquecíveis. Os jardins da nossa Biblioteca Digital Professor Antônio Miguel Jorge Chaud ganharam novos e inusitados moradores: sete esculturas monumentais representando os animais do nosso cerrado.
Mas não eram esculturas comuns. Eram sentinelas feitas de ferro, solda e, acima de tudo, consciência.
O Artista e a Alquimia do Metal
O nome por trás desse trabalho primoroso é José Marcos Francisco. Funcionário da Mitsubishi na época, José Marcos provou ser um verdadeiro mestre na arte de ressignificar. O que para muitos era apenas sucata e material reciclado da fábrica, nas mãos dele, ganhava vida, curvas e uma precisão anatômica que deixava qualquer visitante boquiaberto.
Antes de chegar aos jardins de Catalão, esse “zoológico de metal” já havia impressionado a Assembleia Legislativa em Goiânia. E não era para menos: a montagem das estruturas, peça por peça, exigia uma técnica e um olhar que transformavam o metal bruto em poesia visual.
Os Sentinelas do Cerrado
Quem passou pela Biblioteca entre os dias 1º e 4 de junho daquele ano pôde ver de perto representações de animais que são símbolos da nossa terra, mas que, infelizmente, já figuravam na lista de espécies ameaçadas de extinção.
Estavam lá, imponentes:
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O Tamanduá-bandeira: Com suas garras de metal e focinho longo, parecia pronto para atravessar o gramado.
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O Lobo-guará: Elegante e altivo, mesmo em ferro.
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O Veado-campeiro e o Lagarto: Detalhes em solda que davam texturas quase reais às peças.
A iniciativa, fruto de uma parceria entre a área de Gestão Ambiental da Mitsubishi e a Secretaria Municipal de Educação e Cultura, tinha um objetivo claro: usar a arte como um alerta para a preservação do que temos de mais precioso.
Uma Exposição Itinerante e Zelada
Um detalhe curioso e que mostra o valor dessas obras é que, por questão de segurança, as esculturas “dormiam” dentro do prédio da Biblioteca. Todos os dias, às 18 horas, elas eram recolhidas para serem expostas novamente sob a luz do sol no dia seguinte.
E o compromisso com a comunidade foi além. No dia 5 de junho de 2009, as peças foram transportadas para as represas do Monsenhor Souza, permitindo que os moradores daquela região também tivessem esse contato direto com o trabalho de José Marcos.
O Eco do Passado no Nosso Presente
Rever essas imagens hoje nos faz refletir: como está a saúde do nosso cerrado quase duas décadas depois? A arte de José Marcos Francisco não era apenas estética; era um manifesto. Ele transformou o descarte industrial em um grito de socorro pela natureza.
Ao resgatar essa matéria, o Blog da Maysa Abrão reafirma que a memória é a nossa melhor ferramenta para não esquecermos de cuidar do nosso chão.
Você se lembra dessa exposição?
Aqueles animais de metal faziam a alegria de quem passava pela Biblioteca Digital.
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Você chegou a tirar alguma foto com o tamanduá ou o lobo-guará?
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Onde será que andam essas esculturas hoje?
Deixe seu comentário abaixo! Vamos juntos reconstruir a história desses momentos que deram cor (e brilho metálico) à nossa Catalão.
