Formandos do Curso de Teatro do CEFART se inspiram em Gabriel García Márquez e exploram relações de outras civilizações com a morte em “Corpo d’água” 

Espetáculo encerra o ciclo formativo do Curso Técnico de Teatro do Centro de Formação Artística e Tecnológica da Fundação Clóvis Salgado, com inspiração em saberes de povos não ocidentais na lida com a finitude

No conto “O afogado mais bonito do mundo”, escrito em 1968, o escritor colombiano Gabriel García Márquez narra a chegada de um corpo morto a um dado povoado. Diante dessa aparição inesperada e inusitada, os moradores entram em reflexões existenciais a respeito da morte e seus significados para a vida. Com base nesse roteiro simples, mas evocador das indagações centrais da experiência humana, os alunos do Curso Técnico de Teatro do Cefart (Centro de Formação Artística e Tecnológica da Fundação Clóvis Salgado), turno da manhã, apresentam o espetáculo “Corpo d’água”, que encerra o ciclo formativo, com duração de três anos. A peça será encenada de quinta-feira a domingo, entre os dias 4 e 14 de dezembro, às 19h, exceto nos dias 4 e 5, às 20h. Com entrada gratuita e retirada de ingressos na bilheteria do Palácio das Artes, com 1 hora de antecedência, a apresentação ocorre no Teatro João Ceschiatti, no Palácio das Artes.

Raysner de Paula assina a dramaturgia e Júlia Camargos a direção geral do espetáculo, construído em colaboração com os alunos. Na peça, os moradores do povoado são interpretados por seis atores, ao passo que o corpo morto que chega pelo rio é invisível, presumido pelos gestos dos habitantes, em uma escolha que reforça o caráter reflexivo da finitude. O mote do espetáculo é de que a morte não é apenas sofrimento e perda. A aparição do corpo desconhecido desperta perguntas que tocam também na beleza e no pertencimento, abrindo espaço para investigar as potências simbólicas da morte como reinvenção, em diálogo com o realismo fantástico. Essa abordagem se filia a saberes de povos não ocidentais, como os indígenas e latinos antigos, na lida com a finitude.

O espetáculo “Corpo d’água” é realizado pelo Ministério da Cultura, Governo de Minas Gerais, Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais, Fundação Clóvis Salgado. As atividades da Fundação Clóvis Salgado têm a Cemig como mantenedora, Patrocínio Master do Instituto Cultural Vale e Grupo FrediZak, Patrocínio Prime do Instituto Unimed-BH e da ArcelorMittal, Patrocínio da Vivo e correalização da APPA – Cultura & Patrimônio. O Palácio das Artes integra o Circuito Liberdade, que reúne mais de 50 equipamentos e empreendimentos criativos com as mais variadas formas de manifestação de arte e cultura em transversalidade com o turismo. A ação é viabilizada por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. Vale-Cultura. Governo do Brasil: do lado do povo brasileiro.

Do susto à reverência — O roteiro de “Corpo d’água” apresenta ao público etapas de elaboração dos moradores do povoado diante da chegada do corpo. “No início, o povoado é pacato, sem ênfase vital; com sua aparição, o corpo morto confronta a mesmice, motivando incontidas especulações. Ao longo da trama e em seu desfecho, o que queremos mostrar é que a morte, apesar de muitas vezes ser vista como um tabu, é produtora de sensibilidades e movimentos no mundo, principalmente se olharmos para ela pela ótica de saberes de povos que não os ocidentais contemporâneos, que têm cultivado muito pouco a finitude, como se houvesse nela algo proibido de ser dito, algo a não ser experienciado e ritualizado com reverência”, afirma Júlia Camargos.

Escuta e presença — O elenco de Corpo d’água é composto pelos formandos da turma de teatro da manhã: Jeanne Angelino, Jesika Torres, Mateus Brant, Rosilene Barbosa e Fábio da Mata; e pela atriz convidada Bianca Freire. Fábio da Mata faz um balanço da realização: “A travessia do morto pelo povoado simboliza também a travessia da nossa turma, que não foi curta, nem superficial. Afinal, em três anos construímos uma relação de escuta um do outro, por meio do fazer teatral, que talvez seja a arte que presentifica e centraliza o corpo e a troca afetiva com maior intensidade. Estamos satisfeitos com o percurso, com o espetáculo e com a formatura. E, claro, ansiosos para mostrar ao público o fruto da nossa construção artística”, celebra.

CEFART – O Centro de Formação Artística e Tecnológica – Cefart, da Fundação Clóvis Salgado, é responsável por promover a formação em diversas linguagens no campo das artes e em tecnologias do espetáculo. Referência em formação artística, o Cefart possui amplo e inovador Programa Pedagógico para profissionalizar e inserir jovens talentos no mercado de trabalho da cultura e das artes. Diversas gerações de artistas e técnicos foram formadas ao longo dos quase 40 anos de atividades, com forte impacto no fazer artístico de Minas Gerais. São oferecidas, gratuitamente, oportunidades democráticas de acesso à formação cultural diversa, por meio de Cursos Técnicos, Básicos, de Extensão e Complementares, com grande repercussão social.

FUNDAÇÃO CLÓVIS SALGADO – Com a missão de fomentar a criação, formação, produção e difusão da arte e da cultura no estado, a Fundação Clóvis Salgado (FCS) é vinculada à Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais (Secult). Artes visuais, cinema, dança, música erudita e popular, ópera e teatro constituem alguns dos campos onde se desenvolvem as inúmeras atividades oferecidas aos visitantes do Palácio das Artes, CâmeraSete – Casa da Fotografia de Minas Gerais – e Serraria Souza Pinto, espaços geridos pela FCS.  A Instituição é responsável também pela gestão dos corpos artísticos – Cia de Dança Palácio das Artes, Coral Lírico de Minas Gerais e Orquestra Sinfônica de Minas Gerais –, do Cine Humberto Mauro, das Galerias de Arte e do Centro de Formação Artística e Tecnológica (Cefart). A Fundação Clóvis Salgado é responsável, ainda, pela gestão do Circuito Liberdade, do qual fazem parte o Palácio das Artes e a CâmeraSete, entre outros diversos equipamentos. Em 2021, quando celebrou 50 anos, a FCS ampliou sua atuação em plataformas virtuais, disponibilizando sua programação para público amplo e variado. O conjunto dessas atividades fortalece seu caráter público, sendo um espaço de todos e para todos.

Espetáculo “Corpo d’água”

Data: 4 a 14 de dezembro (quinta-feira a domingo)

Horário: às 19h, exceto dias 4 e 5, às 20h

Local: Teatro João Ceschiatti – Palácio das Artes

(Av. Afonso Pena, 1537 – Centro, Belo Horizonte)

Classificação indicativa: 10 anos

Entrada gratuita, com retirada de ingresso na bilheteria  1 hora antes do espetáculo

Assessoria de Imprensa
Walter Navarro | Arthur Santana | Lucas Oliveira Maron Filho Regyane Bittencourt