Governo de Minas e Ministério Público assinam Ordem de Serviço para início do restauro do Palácio da Liberdade

O Governo de Minas Gerais, por meio do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG), e o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) assinaram, nesta segunda-feira (11/9), a Ordem de Serviço para início das obras de restauração do Palácio da Liberdade. Na ocasião, também foi apresentado o projeto Ateliê de Restauração Aberto que permitirá ao público acompanhar todo o trabalho nos próximos meses com segurança. O equipamento, continuará, assim, de portas abertas.

O documento assinado marca o início do projeto de conservação e restauro do centro cultural que integra o Circuito Liberdade e, desde 2022, tem apresentado ao público exposições e sediado a programação de diversos eventos, como o recente Festival Internacional da Cozinha Mineira Contemporânea. O secretário de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais, Leônidas Oliveira, durante coletiva de imprensa realizada na tarde desta segunda-feira (11), no Palácio da Liberdade, comemorou o início das obras e a possibilidade de manter o espaço aberto aos visitantes.

“Muitas pessoas nos perguntaram: o Palácio vai fechar? E podemos dizer com segurança que ele continuará de portas abertas, e o público poderá continuar vindo, e agora, podendo aprender ainda mais sobre a história desse espaço e das obras de arte que ele contém”, sublinhou Oliveira. “Além das ações no prédio em si, também será restaurado parte do mobiliário e tudo isso será mostrado cotidianamente. O nosso objetivo é receber as pessoas, especialmente os estudantes, para que possam acompanhar os processos e também termos um momento para conversamos sobre a história de Minas Gerais”, acrescentou o secretário.

Para as intervenções, estão sendo direcionados cerca de R$ 10 milhões. Os recursos são advindos de medidas compensatórias ambientais direcionados pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), por meio da Plataforma Semente. O procurador-geral de Justiça de Minas Gerais, Jarbas Soares Júnior, explicou que os recursos não são do MPMG, mas oriundos de medidas compensatórias ambientais, que viabilizam o investimento em iniciativas de preservação e proteção ao patrimônio cultural, dentre outras.

“Esses valores estão sendo destinados a várias ações de proteção ambiental e do patrimônio. Esta talvez seja a mais representativa e simbólica ação da história do MPMG em defesa do patrimônio cultural, uma vez que o Palácio da Liberdade é o nosso maior patrimônio”, pontuou Soares. “Esse trabalho deverá contribuir para projetar ainda mais o nosso estado, com seu precioso acervo de patrimônio histórico e cultural. Hoje todas as pessoas podem visitar esse espaço, ver e sentir o pulsar da história de Minas Gerais”, finalizou o procurador-geral.

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Ateliê de Restauração Aberto

As obras no Palácio devem durar em torno de 18 meses, e o público poderá acompanha-las por meio do “Ateliê de Restauração Aberto do Palácio da Liberdade”. A iniciativa trata-se de um projeto de educação para o patrimônio cultural, com o objetivo de garantir que todos possam conhecer mais sobre a história do equipamento e sobre os processos de recuperação dos bens públicos protegidos.

A gerente de Difusão e Educação para o Patrimônio Cultural do Iepha-MG, Ana Carolina de Vasconcelos Ministério, explicou que o programa acompanha uma tendência mundial, que aproxima as pessoas do próprio trabalho de restauração. “Acho que isso também amplia um pouco a experiência dos visitantes. Depois que as obras estiverem encerradas, eles vão poder falar: ‘eu participei, vivenciei essa experiência. Vi como era e como está agora’. Isso é muito importante”, comentou Ana Carolina. “Outro ponto importante é a própria valorização dos profissionais. Muitas vezes, nós não temos noção de como é o trabalho de um restaurador, e agora vai ser possível acompanhar isos de perto”, completou a gerente do Iepha-MG.

Obras

Serão realizadas diversas ações de restauração no Palácio da Liberdade. Um dos destaques é o projeto de iluminação cênica para destacar as fachadas externas e jardins, além de nova iluminação na área do entorno da piscina. Na área Recuperação e recomposição do madeirame do telhado. Restauração externa, como recuperação das fachadas e a revitalização dos jardins.

Outra novidade é a mudança de posição da tenda de eventos, que será transferida para a quadra dos governadores. No local onde está atualmente, será instalado espaço para orquestra, ampliando as possibilidades de apresentações artísticas nos jardins.

Como forma de manter as características e possibilitar o uso do bem cultural, está prevista a restauração dos elementos artísticos das pinturas parietais artísticas, de forros, molduras e piso em tacaria do Quarto do Governador e do Quarto da Rainha. A lista de ações de restauro inclui a recuperação da cozinha e instalação de novos armários; complementação e adequação dos acessos e percursos de visitação; restauro de corrimões e rodapés, entre outras.

A última obra realizada no local foi concluída em 2006, para solucionar problemas com infiltrações que prejudicavam o prédio e seu acervo artístico.

Cronograma

As áreas a serem restauradas, primeiramente, serão o Saguão Principal e as Salas Laterais, enquanto o trabalho no telhado é finalizado. Em seguida, o Quarto da Rainha, o Quarto do Governador, a Varanda Frontal, a Varanda Parlatório e os Torreões.

Acompanhamento

As obras do Projeto de Conservação e Restauro do Palácio da Liberdade serão acompanhadas pelo lepha-MG com um Comitê de Avaliação e Acompanhamento. O grupo será formado por representantes do Governo do Estado, do Ministério Público de Minas Gerais, Município de Belo Horizonte e o Instituto Biapó, responsável pelas obras. O comitê poderá, ainda, convidar representantes de outras instituições, sejam elas públicas ou privadas.

História

Inaugurado em 1898, o Palácio da Liberdade foi construído para sediar o Governo do Estado de Minas Gerais. A edificação está inserida em um espaço icônico da cidade, integrado ao conjunto de prédios construídos para abrigar as secretarias de Estado, após a transferência da capital de Ouro Preto para Belo Horizonte.

O empreendimento reflete a influência francesa na arquitetura do período. Os materiais utilizados na sua construção foram importados da Europa: armações de ferro das escadarias vindas da Bélgica; telhas de Marselha, madeiras de pinho-de-riga da Letônia; mármore de Carrara.

A pintura e a decoração do edifício são do artista Frederico Antônio Steckel. Os jardins são do arquiteto paisagista Paul Villon, enquanto os canteiros, divididos longitudinalmente por uma alameda flanqueada por palmeiras imperiais, foram projetados por Reynaldo Dierberger.

Por sua importância histórica, artística e arquitetônica, a edificação foi tombada pelo lepha-MG em 1975, por meio do Decreto n. 16.956. O tombamento contemplou fachadas exteriores, áreas internas, elementos decorativos, jardins com fonte, esculturas, orquidário, quiosque e demais bens de valor cultural.

Fotos: Leo Bicalho