Um Homem que se Identifica com o Povo

Matéria publicada no Jornal O Catalão em 02 de julho de 2010

Waldivino José Duarte, um homem simples, humilde, de raízes rurais, solidário e respeitoso com os menos favorecidos. Mudou-se para a cidade e toda a família veio também.

Nasceu em sete de agosto de 1949, na fazenda Mata Preta, filho de Benedito Fernandes da Silva e Luzia Duarte da Silva. É o mais velho dos nove filhos.

Fez seus primeiros estudos na zona rural. Deixou a roça aos 12 anos de idade, veio para Catalão para continuar seus estudos. Estudou um ano no Colégio Dona Yayá e depois foi para o Siena através do Exame de Admissão. Estudou no Colégio Anchieta até terminar o Curso de Contabilidade. Tem ainda saudade dos destacados professores como Profª. Iolanda Persicano, Dr. João Margon, Prof. Chaud, Profª. Mariazinha, Profª. Aparecida e outros que já nos deixaram.

“Naquela época os professores eram muito especiais”

Desde os 12 anos, quando veio para a cidade estudar, trabalha, pois recebeu essa formação na fazenda, com os pais. Seu primeiro trabalho foi de auxiliar de sapateiro na sapataria do Sr. Arlindo Camilo, onde ficou até pegar seu salário, pois deixou de lado o salário com o patrão, num total de Cr$ 185.000,00, em moeda vigente na época.

Foi fazer o exército, seu número era 550 e ficou como ordenança de um coronel, levando sanduíches para os pilotos do CAN (Correio Aéreo Nacional). Devido aos 55 quilos e sua estatura baixa, insistiram para que continuasse e se transformasse em pára-quedista.

Quando retornou a Catalão, seu antigo patrão não teve como pagar seu dinheiro, saudando a dívida com as máquinas da sapataria. Assim, Waldivino, modestamente, começou em um cômodo na Rua Moisés Santana, a fabricar, primeiramente, botinas. Depois ia a Franca, comprava alguns pares de sapatos, desmontava-os para servir de modelo e fabricava em quantidades para atender o mercado. Começou comprando a sola no Curtume do Sr. Nicola e a vaqueta em Araguari. As botinas, a princípio, eram vendidas pelo Divano Elias, na Casa da Lavoura. Em 1969, seu pai comprou o lote da esquina da Rua Cristiano Vítor com a Rua Cel. Pirineus e, em 1970, Waldivino constrói lentamente, sendo muitas vezes o servente da obra, uma casa comercial. Transferiu sua fábrica para o local e trouxe todos os irmãos para trabalharem com ele, formando, assim, uma empresa familiar.

Waldivino passou a utilizar sua fábrica como escola de formação de profissionais; era o SENAC e o SENAI de Catalão, à época.

Já bem relacionado e sempre disposto, assumiu a secretaria da Associação Comercial, com o presidente Osíres Ulhôa.

Em 1972, casou-se com Valdeci Maria Duarte, sua grande companheira, com quem veio a ter três filhos: Rogério Fernandes Duarte, Fabiana Adelina Duarte e Juliana Luzia Duarte.

Muito religioso, fez o Cursilho de Cristandade em Ipameri e passou a ser Ministro da Eucaristia.

Pela sua fé e espírito festivo, conduziu a festa de São João, no Morro da Saudade, por seis anos consecutivos. Conseguiu-se assim as primeiras verbas para a construção do Centro Comunitário do São João, ou o JOPA, como é mais conhecido. A mão-de-obra utilizada de alunos aprendizes do SENAC.

Nesse Centro Comunitário reunia-se o grupo de jovens JOPA, do qual fizeram parte vários jovens, hoje pessoas maduras, dentre os quais quatro se tornaram padres, oito, madres, 8 pastores evangélicos, outros professores, profissionais liberais, comerciantes, e o atual Vice-Prefeito: Miranda.

Waldivino recebeu três títulos consecutivos de Empresário do Ano, oferecidos pela Câmara Municipal, pelos serviços prestados como empresário e formador de profissionais.

Em 1974, aos 25 anos, sem deixar sua indústria e a formação de profissionais, assumiu para um mandato de três anos a Presidência da Associação Comercial de Catalão. Em sua gestão, foi comprado o terreno onde hoje está edificada a sede da entidade. Terminou o primeiro mandato, deixou a entidade por um mandato e depois retornou à presidência, quando fez parte da criação do Clube dos Lojistas.

Foi sócio-fundador do Lions Clube de Catalão. Hoje é apenas sócio benemérito, mas ainda participa das campanhas sociais.

Em 1976 foi convidado para ser candidato a vereador pela ARENA. Sem conhecer política partidária, foi o vereador mais bem votado do pleito e, por unanimidade, o Presidente da Câmara Municipal.

“Eu não sabia o que era política, para mim o objetivo era um só, sem perseguição e sem interesse próprio”.

As reuniões da Câmara eram realizadas na sala de audiência da Prefeitura, que funcionava no prédio onde hoje é a Fundação Cultural Maria das Dores Campos. Um juiz vetou, neste ano, a utilização da sala. Tiveram que alugar o salão do Sindicato Rural para realizarem as reuniões.

Waldivino teve que utilizar madeira da fazenda da família para fazer as mesas dos vereadores. As cadeiras da assistência eram carteiras escolares emprestadas por colégios. Com a prorrogação de mandato dos eleitos em 1976 para 6 anos, assumiu a presidência por dois mandatos.

Na construção da nova sede da prefeitura pelo então Prefeito Divano Elias, conseguiu incluir no projeto a Câmara dos Vereadores, que funcionou no terceiro andar do prédio da Prefeitura até a construção da nova sede.

Em 1982, pela ARENA, candidatou-se a prefeito, perdendo para o Haley Margon do PMDB. Nesta época, contava com três lojas na cidade.

Em 1983, foi eleito membro da diretoria do Sindicato Rural. Nesta diretoria o Presidente era Valter Rezende. Realizou neste período o primeiro leilão de gado do Centro-Oeste. No Parque da Exposição Agropecuária tinha sido construído o tatersal.

Ao terminar o mandato de Valter Rezende, Waldivino elegeu-se para o próximo mandato como Presidente. Murou todo o Parque Agropecuário. Em seu mandato foi criado o tatersal de elite do gado nelore e os escritórios de todas as associações.

Realizou leilões de gado em parceria com a Associação Comercial para a construção de sua sede e com o Rotary para a construção da casa de velórios.

Quando deixou o Sindicato Rural, montou uma empresa de leilões, a Catalão Leilões e Eventos, que promove leilões de gado, de arte e outros.

Nesta época, a fabricação de sapatos não estava mais viável, devido à grande carga tributária e à fiscalização estadual marcante. Distribuiu as máquinas entre os funcionários e ficou somente com as lojas.

Na administração de José Moreira, assumiu a recém-criada Secretaria de Indústria, Comércio e Turismo, como primeiro secretário da pasta. Com sua luta, trouxe para Catalão o FAT (Fundo de Apoio ao Trabalho), que em parceria com o SENAC e com o SENAI, entre outras instituições, realiza treinamento de mão-de-obra.

As principais metas de Waldivino na Secretaria de Indústria, Comércio e Turismo eram: retirar a Polícia Rodoviária da frente do trevo do DIMIC; trazer a TV Pirapitinga para a cidade; reabrir o FRIVAP. Somente não conseguiu realizar esta última meta.

Quando deixou a secretaria, assumiu a gerência do Distrito Industrial, tendo como objetivo principal a luta contra Anápolis e Ribeirão Preto pela implantação da John Deere, em Catalão. Ficou oito anos na gerência.

“Carreguei até poste na minha pampinha para realizar este objetivo, trabalhar incansavelmente.”

Em 1986, sua loja da Rua Cristiano Vítor foi vítima de um incêndio. Com muita luta e dificuldade, reconstruiu sua loja. Mas, dois anos depois, passando o país por um período de grande inflação, não resistiu mais, fechou sua loja.

Em 1999 foi escolhido para festeiro da tradicional Festa do Rosário. Convocou oito ex-festeiros para sua comissão. Realizou o primeiro leilão de arte em benefício da festa, que hoje é um evento permanente no calendário da comemoração.

Quando deixou o DIMIC voltou à sua atividade natural: cuidar de fazenda, criar gado. Tiram 200 litros de leite diariamente, que são vendidos in natura ou dos quais sua esposa faz queijos para venderem.

Tem um bem montado tatersal em sua propriedade na Macaúba, onde realiza semanalmente os leilões de gado.

Hoje, aos quase 61 anos, vive pela família e por Catalão, que ele ama muito. “Curte” as três netas, uma das quais nasceu nesta quarta-feira, dia 23.

Formou, com alguns vizinhos, um grupo para adotarem a rua em que moram, fazendo calçadas, fechando lotes e pintando muros, com o objetivo de deixar a rua mais bonita e ajudar a administração municipal.

Waldivino Duarte, um homem que se mistura com o povo, e se destaca pela grandeza de sua alma.

Waldivino José Duarte, faleceu em abril de 2014, aos 64 anos.

Por Roberto Rocha

Jornal O Catalão